19.10.07

já tinha anoitecido e era muito próximo da boulevard saint germain

vitórias menores, no quarto com janelas
fechadas. seis da tarde, se saíres
para o corredor há uma luz acesa
que diz exit. isto é um hotel e
é janeiro. quarto piso. cadernos
na tua mala, projectos, futuro, e
nos fundos falsos de tudo isso
um q. b. de solidão. tu apagarias
a luz do quarto, antes de sair para
o corredor. se tivesses saído. mas
não. deve haver bebida no bar, imagino
que pensas. é que vejo-te abrir a porta
pequena, madeira fingida, e sentares-te
na cama com vidro na mão. daqui, agora
não vejo com segurança, mas parece
que bebeste tudo. rápido. talvez desejes
demais o que não sabes para
não te dirigires ao efeitos sem
demora. agarrar onde possas as leis
da mudança. mas nada muda, pensas
estou certo. por isso abres uma outra
vez a porta pequena. seis horas
e meia. (entretanto, já percorreste
memórias, certamente concluíste
interrompeste, recusaste
mas não dei conta). as luzes
de alguns automóveis que curvam
ao longe, embatem nas cortinas fechadas
que clareiam um pouco. às vezes olhas.
é alto, mas ouve-se o som das estradas
molhadas, enquanto as percorrem carros, uns
mais cedo que outros. choveu, e agora
chove menos. estarias aqui no verão
quase aposto, não afirmas nenhuma relação
entre a chuva e o que se diz da tristeza. é que
ela já esteve nua diante do sol, dizes
e não morreu. vejo mais vidro na tua mão.
garrafa pequena, na mão direita, olha-la
na esquerda agora, entre as duas e
de novo na direita coloca-la na mesa
ao lado da cama. sentado, agarras onde
sabes nada podermos quanto às leis da mudança
e choras: entre as mãos, onde antes
estava a garrafa. tudo acontece muito
antes de aí chegar, é verdade. já são quase seis
horas em portugal, e tenho compromissos. à
saída ainda vejo acesa a luz que diz claramente
exit. faço contas aos fusos horários, e apresso-me.

8 comments:

maria disse...

muito bonito.

Anónimo disse...

Desmente-me se estou errada: aqui, não há uma luz a assinalar a saída, mas sim uma saída a assinalar a luz...; e aqui há alguém que quer trazer alguém para a luz - mas está quase a desistir...

menina tóxica disse...

isto está mesmo bonito.
gosto do fundo falso com solidão q.b.

bruno .b.c disse...

obrigado, maria.
se for a tempo
leva ainda um abraço
bom.

bruno .b.c disse...

não venho aqui desmentir nunguém, anónimo. há ali uma indicação iluminada, exit, é tudo o que sei. e há tempos e espaços que se misturam: nas questões, e nas respostas, faltosas muitas.

bruno .b.c disse...

tóxica, deixa-te disso (embora agradeça). também gostei de escrever os fundos falsos.

Ela disse...

Pendurar a vida e o casaco.Na porta que diz exit.

E o fio a escorrer poesia....sempre.No way out.

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Um Abraço aqui.daqui.

(egoísta..q.b.confesso.)

bruno .b.c disse...

de aí, q.b. confessado
chegou, e bom, a um de
aqui logo a seguir enviado.
bons próximos e de outono
sete dias.