cerrados, os olhos deixaram-na quase
escreves. com a mão esquerda, vejo
a força com que ela te segura à cadeira.
(corte). ontem, já tarde, contaram-me
à força de chorar, dentro de casa, estores
cerrados, os olhos deixaram-na quase
sem ver. calo-me. há choros maiores do
que o corpo que habitam, penso (sem som).
paras. conduz-te à cozinha uma hesitação – porta
aberta demasiado depressa? diz-me.
(corte) ao telefone dizem-me, junto ao polegar
as palmas das mãos, negras, maria, foi
do embate, apoiar-se antes que chegasse o fim
da queda (e tão duro, este asfalto). voltas,
sentas-te. sem que dês conta, e enquanto a mão direita te prende
a uma palavra (por meio de tinta azul), a esquerda
já de novo te segura, branca de força, ao escuro
castanho dessa cadeira. (saio) para a soleira da porta, onde chove
muito. demoro ali. fico abeirado entre a cortina dos céus e
a porta que depois sobe. tu, no cimo, conduzes
com uma mão apenas, o medo ao seu lugar de
pedra, e pasta. lembro. (corte). havia cadeiras
e nós corríamos entre risos à volta delas, e sentarmo-nos
era a nossa forma pequena de nos sabermos ainda
continuamente ali, em pé e correndo à volta. é bom, esse
e outros riscos na memória. (corte, e água). atravesso
a rua estreita. entro no café. molho-me pouco, tal a distância
dos passos com que o faço. sento-me sozinho a uma mesa.
tu em cima viajas pela casa, quando o azul te sobressalta
muito aberto. e eu sei que é uma condição ficar assim (fico)
entre a cortina dos céus, e a porta atrás que depois sobe.

19 comments:
gostei muito.
"há choros maiores que
o corpo que habitam" - é teu?
é. (mas já sabes como é que isto funciona: as palavras ensinaram-mas e são nossas, os choros às vezes também, e o corpo - às vezes curto).
não sei porquê, mas gostei que gostasses deste.
:)
eu perguntei por causa do itálico. é que gosto particularmente desse verso e tinha estado minutos antes a falar de choros abruptos, maiores que o corpo (para te roubar a expressar).
eu percebi, e o itálico também.
não sei porquê (ou melhor, sei, e tu também), desenvolvi certos anticorpos lexicais que me impedem de ler as duas palavrinhas assim juntas - choros abruptos - sem um certo desconforto..
e rouba, depois eu mando o gajo das cobranças.
pura
e
simples
( mente )
DIVINO
.
um beijo
Também venho gostar um pouquinho/muito com a vossa permissão...
ó gabriela!.. então isso são modos?
(é que afugentas os pássaros todos, com maiúsculas dessas).
abraço bom.
obrigado, jorge.
(gostei bastante do humor desse comentário)
um abraço.
e eu que gostei destas mãos. e da força delas.
(e isto está memso bonito)
sorriso tóxico*
"há choros maiores que
o corpo que habitam"
Belíssimo o teu poema.Bruno.
_________/
Abraço.D´aqui.
( )
mt interessante o blogue. n conhecia.
deixo uma dica de um autor novo que merece ser divulgado:
www.tiagonene.pt.vu
Bi.
tudo certinho, tóchica.
(gostei do "memso" bonito)
e um desses também.
não tóchico, mas brunino.
obrigado pelo bom sempre das visitas, ela. e bom que tenhas gostado. abraço desses.
um abraço, sophia.
(até é parecido com esse sinal, assim sem pontinhos)
molhinhos de abraços.
já quase me tinha esquecido como é bom estar por aqui.
:)
bom. muito bom mesmo.
beijinho*
obrigado, aida.
é bom isso, quando vem assim aos molhos. um desses para ti.
um abraço, vanessa.
(não esqueças que há sempre o cerbon 6..:)
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