para flauta, violoncelo e sala
regresso aos teus olhos.
escuros como batalhas.
sem prosas, hoje respiro.
digo: ouço. (e perto,
lembro-me: escuros).
uma sala vazia é melhor.
para a ressonância:
do violoncelo, entendes?
hoje regresso a eles. sem
acentos, nem perguntas.
estendo-me no chão da casa
e recuo. deixo a vertigem
(várias) as estações (o próprio
tempo, se pudesse). digo:
ouço. saio da locomotiva
a meio do percurso. digo
que me sinto mal, e sento-me
longe dos aparelhos. regresso.
uma sala vazia é melhor. entro.
levo a mão direita dentro
do casaco. (lado esquerdo). o frio
repara nisso.

14 comments:
( bom aqui... várias coisas )
(agradecido, dora.
gosto desses comentários parentéticos. um abraço. volta sempre. ou, se quiseres, troca o "sempre" por "às vezes".)
bom demais
como sempre
( um beijo )
Que engraçado, a poesia soa-me tão familiar e há algo que nele me toca, uma parte de mim.
Da minha existência, um trilho emotivo, de vendavais incertezas do percurso trilhado.
Um sussurro inigualável, melodioso e artístico de fónetica no ouvido esquerdo, o lado implantado.
Beijo!
...e dos violinos...
;)
um texto muito belo.
Agora sim as aspas justificam-se,
lembras-me o teu poema este outro.
Escuta:
"4.
para o l.f c. lares, em bruxelas
ouvindo a sonata
para violoncelo e baixo contínuo em Si bemol maior n° 6 de
Vivaldi.
______
"na tua rua deve anoitecer cedo,
sobretudo de inverno, enquanto dedilhas bach
naquele piano com auscultadores.
(...)
também aqui,
bem mais para sul,
os dias amanhecem por vezes
já doentes, com os passeios desertos,
um gato esgueirando-se
da sua fugaz imagem,
e o frio impossibilitando os rostos
de se definirem."
Vítor Oliveira Jorge.
Ouves?______________
Abraço, Bruno. Belíssimo o teu poema.
Peço desculpa pela ex.tensão do comentário.
belo, como sempre.
obrigado, gabriela.
(como sempre?)
um abraço bom.
boas melodias, memorex.
um abraço, e obrigado pela visita.
não, sophia.
eles não se importam de
ficar de fora (garanto-te).
e aqui ficam.
(sorrio)
bem-vindo, cometa.
(esse nick lembra-me o romance do vitorino d'almeida).
aparece, sempre que quiseres.
um abraço.
ora essa, ela. estás inteiramente à vontade, por aqui, de pôr e tirar palavras, de as avançares e recuares. (ainda para mais, bem citado). (já agora, anoitece cedo, e às vezes dedilho bach - com auscultadores). um abraço.
olá, ana. então a ti também te deu para o "como sempre"? deixa lá isso. um abraço bom, e bons dias.
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