algum questionamento sobre a refracção e outros fenómenos
sei que os caminhos de regresso estão cheios
de gente de chapéus coloridos, contentes, quase
crianças, como se enfim existisse um regresso
o que (parece) não há. se perguntar
para o lado: sabes que não há nenhum
regresso? estou até quase certo que
dirão: sim, sei e continuaremos
no mesmo caminho de regresso.
porque onde há caminhos há regressos
inventados. como se não pudessemos caminhar
sem acreditar que regressamos
para alguém para algo. é se calhar até por isso
que o hélio dos balões quando sobem sempre
nos sobe muito a voz lá muito para os agudos
animados. e rimos, e depois os balões
esvaziam-se num rodopio pela casa; ou
se calhar tens razão, isto venha a despropósito.
nisto, o que te pergunto é se compreendes: o
regresso é o amor. e nós
inventamos o amor até nos lugares mais improváveis
os nossos indicadores descobrem o destino
das viagens num mapa ainda
às escuras, e regressamos. há um sentido
até mágico se por exemplo entrares num café
numa mercearia e pensares: estou
a regressar. porque logo o amor
se inventa, e o lugar regressa, diz-te (como
se dissesse): sim, é aqui
que tudo começa, que
tudo se renova. o amor
é um mapa consideravelmente grande. no lugar do pendura
e com ele aberto assim entre as mãos ele cobre
praticamente todo o tablier e não vês nada pelo pára-brisas.
é mesmo muito grande (dá para perceber) nele
os nomes de todos os que existem como novas
cidades ou destinos podem ser encontrados.
agora beijo-te. digo boa noite e é como se entrasse
numa dessas tuas ruas, num café perguntasse
o horário do autocarro até ao parque, no mercado
ouvisse a d. eulália falar-me da frescura
daquelas laranjas. beijo-te. nenhum regresso
existe. ainda assim (parece) regressamos.

19 comments:
o regresso é o amor. um mapa béu.
ora bolas.
isto está lindo lindo.
:)
já não passava aqui há tanto tempo que me tinha esquecido de como este espaço é lindo...
Gosto quando regressas assim.
Volto aqui.
Deixo um abraço daqui.
__________________/
(a tua poesia é cheia.de silêncios.por isso fala-me. Belíssimo poema.)
:)
e uma miúda
fica
aqui. a imaginar e a imaginar. uma mercearia destas tuas onde o amor se inventa (lindo)e depois a seguir põe-se a imaginar a d. eulália... e a frescura daquelaslaranjas(também). e até ser muito tarde pra se meter ao caminho. porque já é outra vez azul escuro e não se vê nada.
mas (mas0
olha, bruno
o que (parece)não é impossível.
se falta metade
a palavra
é mesmo essa
"regresso".
dizem que "aquilo" às vezes acontece
(como era "antes")
e não há volta a dar-lhe.
e dizem que depois o resto do caminho já nao é "regresso",
é sempre "agora"
e aí sim, aí é que se inventa a valer "o abalo do mundo" e os dias felizes... também.
(a menos que seja mentira mas mais vale acreditar)
boa noite e um beijo para ti
um refinamento
tão
refinado
que
refractaria mente
conduz
ao refina mento
da mente
.
belo
um beijo
queria-te dizer apenas que voltei!
june
agradeço-te a leitura,
alice.
beijinhos, tóchica
pelo comentar sempre
catita. (eu não é tudo
mas gosto do mapa
cubrir praticamente todo
o tablier)
é verdade, sem nomes.
mesmo uns meses. bom
regresso, por isso.
um abraço.
olá, ela. interessante isso de ouvires silêncios. (há de facto umas tentativas de dizer pouco e sem grandes alturas. devo ter vertigens..)
pois e eu
concordo, mar.
(pequena nota: gosto
de palavrinhas e
logo ao início foi
miúda)
e sim. se calhar foi
por isso que (parece).
e ainda muita e muita
concordância com certo
momento em que dizes
agora. muito
isso.
abraço bom e dias.
ó gabriela, quase
que me perdia. mas
achas que há assim
tanto refinamento?
se sim, foi involuntário.
já fui ficar glad
(mesmo), lá no didi.
o que não implica que
não fique também aqui
um pouco mais. olha,
vou ficar:!!!
(muito bom regresso)
beijo
ah, é verdade, june: muito bons, o título e nick.
(sim.eu entendi.
Mas a vertigem faz bem.
Eu cá gosto.)
Abraço bruno.
abraço, ela.
(sei que sim)
.
temos de nos agarrar ao que quer que seja.
.
até aos regressos improváveis.
.
ou não agarrar, corpo visível
e antes desprender.
abraço.
Enviar um comentário