verão azul, episódio *: a fuga de osíris sousa
falo-te com franqueza não
venhas aqui todo eu
me desmembro pela casa compreendes
pois a desarrumação que te receberia
se viesses e de novo primo
o botão do alta-voz aproximo-me
do auscultador quero ouvir-te do
outro lado não dizes nada pouco
depois desligas não entendo vens?
que quer isso dizer? pego no casaco e
saio com ele na mão direita está frio
não o visto até chegar ao fundo
da rua começo a correr o sangue também
muito em todo o corpo sinto-o tenho calor
fujo fugir aquece-nos sempre porque
foges? se estivesse sentado naquele café
e me visse passar a correr como corro era
isso que me perguntava e olha
até que podia parar e responder-me: não sei
e tu em que pensavas antes de
me vires passar assim a correr? fujo
sabes o que é isso não? estava à espera
de ver alguém fugir era nisso que
pensava dizes, agora à frente posso virar
à esquerda e subir para a serra ou à direita
e descer (corro sempre) vou descer sempre
que fugimos queremos descer é que no fundo
só no fundo podemos esconder-nos se calhar já me tocaste
à campainha quem chega como tu chegas
quantas vezes toca? e com que urgência
o faz? bem já devo ter descido bastante
de algum lado penso que vejo o fim
rápido das coisas e que isso (nota: tenho mãos
vazias mas dois dedos de conversa) me entristece
devo passar tempo demais na praia e olhar muito
para onde olho e deixar correr a areia muitas vezes
da mão esquerda ou então não, há uma bicicleta encostada
ao portão verde de uma casa aqui a meio caminho do fundo
deste vale daqui já vejo o mar a serra
ergue-se atrás de mim olho confirmo sintra há
uma lua dentro dela rápido pego na bicicleta
tenho calor deixo o casaco em cima do portão
verde é uma troca justa não é roubo sento-me
vou pedalar até ao fundo isto é que é velocidade
até pode ser que continuando assim aviste enfim um talvez um
azul qualquer
o tema da série televisiva, e se rir ao fazê-lo e isso lhe afectar o assobio
peço que continue a tentar se não se importa: ajude o autor)

17 comments:
fugir é a minha especialidade, assobiar, não sei. andar de bicicleta nunca consegui. fujo, então. mas deixo um abraço mais abaixo, sobre o portão azul. anil.
falo-te com franqueza não
venhas aqui todo eu
me desmembro pela casa compreendes.
_________________
"Mesmo no interior do quarto .
És o lado de fora da casa."
Daniel Faria.
trouxe-me assim à lembrança.
Perdoa Bruno,
não sei assobiar.
um abraço que se erga daqui-aí.
ai
possas!!!
possas que já tava com saudades de tu!
possas que esta música entrou pelo mar adentro
sem avisar!
possas bruno,
que
tu escreves
tão bonito!!!
coisas boas
pra ti
e horas e dias e cores tudo e tudo
há muitas fugas, de facto.
aqui houve também divertimento de cruzar alguns azuis e outras cores ou nem tanto.
é pena: bicicleta e assobio.
abraço, musalia.
não sei se perdoo, ela.
(nem uma ajudazinha?)
mas como trouxeste o daniel,
leva um abraço.
mar, em quatro possas, concordo com três (os primeiros): entra mesmo; e eu também.
obrigado os dois tudos (há sempre um que é para enganar, e o outro é que é), e azuis de volta.
tudo é demais em tudo o que escreves
e tudo é demenos no muito que nos esperas
fazes falta
na escrita ,amiúde
.
pelo menos a mim
.
um beijo pelo mais
a propósito ,bruno!
verificaste que te fiz "senhor de templates" em meus blogues ,[ mencionando os direitos de autoria ,claro! ]
.
quando amo demais o belo ,não resisto .defeito ,feitio? tanto faz
.
outro beijo
azul plúmbeo
azul marinho
azul de prússia
azul celeste
bolas... isto é como ir ao cinema e ficar com a vida suspensa.
muito muito bom.
agradeço-te, gabriela.
(quanto às caretas do blog, não precisavas, e estás à vontade, como é óbvio)
abraço.
não deixa de ter piada
"blue", vires aqui azular
nos comentários.
abraço e bons dias.
salomé, agradeço.
(isso do cinema, que significa?)
há filmes que são poemas e há poemas que são filmes.
acho que era isto.
percebo-te (e em parte até concordo). era aquilo da suspensão que me questionou.. abraço.
será que ainda chego a tempo de dar uma mãozinha ao autor?
ups!o assobio de vez em quando falha e assim com o vento (e sempre a descer e a velocidade e o riso e isto tudo) e os cabelos a rodopiar, fhff-fhff é dificil o assobio sair direitinho. posso cantarolar?
tá tá tá tá
tarara
tá tá tá tá
tarara
:) um beijinho.
sempre a tempo, aida
de chegar, e (já agora)
de dar uma mãozinha.
neste caso: um assobio
difícil (espero, é sinal
de riso), ou cantarolando
umas notas. um beijinho.
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