aproximações ao sentido alto de uma lullaby
janela aberta metafórica dos eventos. tu
descalças-te. ergues, como convém, os sapatos
a meia altura. e é então que a areia começa
a cair. à volta a praia parece-me habitada
por pouca gente: a esta hora, quase noite
e dezembro, há alguns que passeiam cães
e outros correm, jogging com ou sem cães correndo
a seu lado. e tu ergues (parecem-me) duas ampulhetas
aqui, mesmo nos degraus do angra que já fechou.
a areia escorre e no sapato esquerdo o vento
aproxima-se numa rajada. dele e também dos teus cabelos
que se agitam no ar. (tudo se move). literariamente,
a areia ainda escorre. isto enquanto em mim
reconheço, sinto que também escorre alguma
ternura. estou encostado ao varão e por isso
tal como agora o vento, muito próximo de te ver
por completo o pescoço. escrevo mais um poema
com praias e vento, já contei cinquenta e sete vezes
a chegada do verão, tenho saudades tuas e uma praia
(lá está) vazia e muito muito vento à minha frente.

25 comments:
a areia escorre e no sapato esquerdo o vento
aproxima-se numa rajada. dele e também dos teus cabelos/que se agitam no ar. (tudo se move).literariamente,
a areia ainda escorre.
é bom, muito bom este ventinho.
um beijinho, bruno.(a primeira a chegar) ainda trago um restinho de melodia do verão azul nos lábios.
"enquanto em mim reconheço, sinto que também escorre alguma ternura",
tudo se move, quando eu também me recoheço nesta imagem.
"sinto que também escorre alguma
ternura."
senti tanto, ao ler isto
gosto de praias vazias. mas cheias. cheias de maresia, espuma nas orlas das rochas. e o som da maré escondido nos búzios.
e dos 'beijinhos', pequenos búzios rosados com três sinalinhos crestados pelo sol.
deixo-te um.
vento mais lindo.
:)
absolutamente
.
um beijo
percebo-te, aida. (quanto ao vento) não sei se esse e o vento do fim são o mesmo.. mas lá devem ser: o mesmo e outro.
é sempre muito bom receber-te por cá (também ir lá) e um beijo.
sejas bem-vindo, nuno.
confesso que o texto só existe para mim por causa do parentético (tudo se move), e desse verso.
um abraço.
interessante, cátia. pois é por um triz que esse verso e imagem ali moram. mesmo mesmo um triz.
um abraço.
também, musalia. mas também antes ainda de estarem cheias disso. vazias. e só o som.
um abraço bom.
o vento ali em rajada (e não só) agradece, tóchica. (ele que ao espelho não se vê..)
beijinho.
não sei se o absoluto assim em modo se sente confortável por estas bandas, Gabriela. eu, porém, sem problemas desses, mando-te um abraço.
as praias do nosso (des)contentamento em polaroids desbotadas pela aridez de um Inverno ainda quente...
obrigada, bruno. um beijo! :)
menino bruno, esta música (ali em baixo) é linda linda linda.
já disse?
é linda :)*
e vento, june.
um beijo, e bons dias.
(de inverno, mas não só)
(sorriso)
pois é, ó tóchica. (linda)
é do menino schubert, um agradecimento à menina Música.
e habita aqui assim meio em protesto velado contra certas intenções que por aí andam.
toma, para seguires a partitura.
http://www.youtube.com/watch?v=H9TlAOKCmaQ
aqui podes ler, no "about this video", o textinho do schober em várias traduções.
http://www.youtube.com/watch?v=JqjzKuSy3cM
Ahhh...
(a sentir dentro. x muitas x)
escreve sim
mais um
mais muitos
poemas.
isso de tu a contar
cinquenta e sete vezes
a chegada do verão
avariou mim
dá vontade de chorar e sorrir mas assim tudo ao mesmo tempo
beijinho pelo Oooh-ooh,ooh-oh-ooh...
ps: tu não te esqueças (está bem?)ali
no meio estava
a Primavera eeee mesmo quando é Inverno
perto pertinho
quase e quase.
+ Oooh-ooh,ooh-oh-ooh do muita lindo a levar... beijinho
e a areia a escorrer
em lugar próximo
do coração.
e o poema.
Abraço grande.
(...)
fazes o vento entrar aqui como uma canção absolutamente nova.
logo logo no início mar
do teu comentário lembrei-me
de uma passagem (gosto muito dela)
do Mário de Sá-Carneiro no
eu-próprio o outro, acho
que de 27 de setembro, que diz
assim: Ah...
(gosto muito)
e tu já sabes que eu não escrevo
isso. ele ali (que não sou eu, é aquilo da epígrafe do tio walt) é que diz que sim, e eu deixo.
gostei muito da avaria.
(sorrio)
e também dos círculos-letra
a fazer de boca do vento.
abraço bom
(interjeição
lá dentro)
sempre muito próximo, Ela.
e mesmo no.
(que é talvez onde escorre mais
e não escorre)
abraço, e bons dias.
ana, já que falas assim do vento, e agradecendo-te (mas nem por isso estando, deste lado, de acordo), vou confessar-te que ali o vento diz olá, pequenamente, aum outro, num certo poema do titio Eugénio de Andrade que (isto é de memória, não me lembro em que livro dele) diz assim:
Vento
vento
Há tanto
Há só vento no meu país
Vento branco
verde vento negro
Ardente
seca as lágrimas
corta a voz na raiz.
(não me recordo exactamente da estrutura, mas é algo próximo)
sempre bom ver-te por cá.
um abraço e até lá, ou aqui.
vento amora branca. que bonito o poema do eugénio, bruno. e que bonito lembrares-te dele de memória.
obrigada (por aqui e por lá)
um abraço*
só agora consegui ver (e ouvir).
um obrigada tóchico :)
Enviar um comentário