Segunda-feira

sísifo in love, imagem ao lado

porque os dedos nos dedos podem
dar-se de vários modos, eu
peguei numa pedra pequena,
pu-la na soma de nós os dois, e
entre as nossas mãos, e
naquela rua acima1, o peso
de tudo era afinal da matéria
leve de um curto som.


1 e tarde de sol, como esta

Domingo

escadas cá de casa

porque os ciclos reencontram-se sempre
um dia (longe da câmara) afastados, nós
ainda dos primeiros bês ou efes, ou
esquecidos do olhar exacto dos espelhos1
vou contar-te (agora tenho tempo) noites
em linha recta e o ilusionista fazia truques
daqueles com argolas. porque nós sussurrávamos
isto: a perfeição, o tempo (agora tenho-o, como
creio disse) e o que está aberto, afinal isto tanto
que nos é tudo2. línguas de gato, uma ou duas
pô-las na boca. dizermos: esta e noite. quebrar
um copo. beber a água do chão (haver muitos
vidros). depois horas a olharmos o centro difuso e
nus, do rosto um do outro. aprender o zero
nesse lugar. e tocarmos o corpo de vidro, um
do outro, na língua (um do outro). existir sempre
um sim. e claro deitarmo-nos juntos por poder morrer
uma árvore essa noite, um círculo. ou apagar-se
na rua, uma luz.

1. o que é um corpo? um copo? um r? um rio?
2. atravessa tudo